Tecnopolítica da margem: dados, corpos e territórios

No dia 24 de junho de 2025, o professor Rodrigo Firmino (PUCPR / JararacaLab) participou como palestrante do Ciclo ACT>, série de encontros mensais promovida pelo Instituto de Estudos Avançados da USP – Polo São Carlos, que articula debates sobre arte, ciência e tecnologia a partir de perspectivas interdisciplinares e críticas.

A fala, intitulada “Tecnopolítica da margem: dados, corpos e territórios”, propôs uma reflexão sobre os efeitos da datificação e das infraestruturas digitais em territórios periféricos urbanos, com ênfase nas formas de resistência e reconfiguração operadas por coletivos e populações que vivem nas margens (geográficas, sociais e políticas) das cidades do Sul Global.

Partindo de experiências de pesquisa colaborativa com organizações como o data_labe (RJ), e o PopuLab (Cali, Colômbia), Firmino apresentou o conceito de tecnopolítica da margem como uma chave analítica para entender como práticas locais de produção de dados, muitas vezes feitas com ferramentas simples e metodologias afetivas, reconfiguram o papel da tecnologia na constituição dos territórios urbanos. Em vez de tecnologias de controle, trata-se de tecnologias de reexistência, que operam com o corpo, o afeto e a urgência da sobrevivência.

Ciclo ACT – Tecnopolíticas da Margem

Firmino enfatizou que essas práticas não apenas informam, mas reivindicam: “Quando um coletivo periférico produz um mapa ou um relatório, ele não está apenas informando, está se inscrevendo politicamente no espaço urbano. Está dizendo: ‘estamos aqui, existimos, temos voz, produzimos saber e exigimos escuta’”. Assim, os dados passam a ser compreendidos não como abstrações neutras, mas como expressões situadas e encarnadas da experiência urbana, especialmente em contextos de violência estrutural, racismo ambiental e negligência do Estado.

Ao longo da apresentação, Firmino destacou ainda a relevância da Geração Cidadã de Dados como prática metodológica e política, capaz de romper com a verticalidade dos dados oficiais. A partir de vivências em Medellín e no Rio de Janeiro, mostrou como comunidades periféricas têm criado metodologias próprias para identificar problemas, registrar memórias e produzir contra-narrativas, frequentemente em formatos que escapam aos padrões da tecnocracia, como vídeos, memes, murais, performances ou podcasts. Tais práticas, argumenta Firmino, “nos obrigam a repensar o que é dado válido, quem pode produzi-lo e para que ele serve”.

A íntegra da palestra está disponível no canal do YouTube do ieA-USP e pode ser assistida aqui.

Mais informações sobre o evento podem ser acessadas na página oficial do Ciclo ACT>.

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